Pela manhã ficamos sabendo que ainda teríamos meio dia de folga, se tudo ocorrer bem, acabaria hoje e voltaríamos para casa. Me parecia que estava tudo certo.
Exatamente ao meio dia, no dia mais quente o céu limpo como nunca tinha visto, tudo volta ao normal, homem contra homem.
Decidi que deveria ir por traz do fronte, com armas de precisão, Não era um bom dia para mim, ainda estava atordoado. Fui para a posição, e novamente tudo iria começar, tudo o que menos queria.
00:49 estou no meu local preferido do acampamento, isolado, sozinho e ferido, um tiro no braço pouco tempo depois de que começou o confronto. Na hora não senti a bala entrando em minha carne, estava preocupado com meus companheiros, muitos caiam rápido.
O homem na mira e muitos tiros certeiros, muitos tiros sofridos, agonizantes mal os via a distancia, estava mal posicionado, mas os acertei.
Mais ou menos às 16 horas desmaiei, não me recordo de quem que me salvou e muito menos onde eu cai. Lembro-me do clarão, um flash, depois tudo ficou escuro. Acordei na enfermaria, enfaixado quase metade do corpo.
-Como está, garoto?
_Ainda não sei, estou tentando lembrar de certas coisas, lembro que desmaiei.
-E como não desmaiaria? louco como você, correndo pela parte de cima das defesas.
_Por cima das defesas?
-Sim! Parecia que o mundo ia acabar naquele momento, nunca vi tal precisão.
_Não me recordo, amigo (não tinha certeza se era, mas pelo visto estava falando com meu salvador) gostaria de saber como tudo ocorreu, se lembra de tudo?
-Não, quando o tirei das minas, levei um tiro no meu capacete e cai. Vou me deitar, amanhã saberá do seus feitos, deveria ir também, o café é cedo, lembra-se?
_Claro, estou indo e obrigado.
-Cuide-se melhor, rapaz!
Acredito estar perdendo o senso das coisas, os parâmetros das ações, o que farei voltando a vida normal? Eu estarei capacitado? Cada dia que passa mais perdido, mais atordoado estou. Quando a tortura terminará?
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